O Eterno Debate | 420doc#Teatro3

Peça de Teatro de Teresa Coutinho
O assunto mais premente da atualidade, discutido à volta da mesa por cinco das mentes mais brilhantes do nosso país. A prova viva da pertinência e acutilância do pensamento contemporâneo, para dar resposta aos exageros, às histerias, a esse politicamente correto que parece estar na ordem do dia e tanto nos tem roubado o nosso tão precioso tempo. É uma maçada. Mas não aqui. Finalmente, uma conversa entre pares, entre pensadores, esses grandes herdeiros do pensamento ocidental, com outra atitude. Sem arrogâncias, sem violências, para que se perceba bem como a banda toca, como tem tocado até agora. Pois, porque o problema não está no conteúdo do que para aí se vai reivindicando. Está na maneira, percebem? É a maneira. O Eterno Debate, peça de teatro de Teresa Coutinho, em estreia na RTP2 Peça de teatro de Teresa Coutinho, com Maria Duarte, Rafael Gomes, Rita Cabaço, Rita Cruz e Tânia Alves. Ficha Técnica Título Original O Eterno Debate Intérpretes Maria Duarte, Rafael Gomes, Rita Cabaço, Rita Cruz, Tânia Alves Realização Adriano Baía Nazareth (RTP) Produção Céu Pinto (RTP) Autoria Autoria e Direção Artística: Teresa Coutinho Ano 2018

A Casa é Nossa, Linha da Frente | 420doc#26

Viver em Lisboa está na moda e é só para alguns. Um apartamento de três assoalhadas no Chiado pode chegar a um milhão de euros. Há famílias a serem despejadas para dar lugar ao turismo. Cresce o número de pessoas a viverem em quartos arrendados fora do centro. Nunca se ganhou tanto dinheiro com os imóveis da capital, como agora.

"A Casa é Nossa" é uma grande reportagem do jornalista Armando Seixas Ferreira, com imagem de Fernando Nobre, Carlos Matias e João Junça. A edição é de Sara Cravina.


O "Linha da Frente" está de regresso, um dos espaços mais premiados e mais vistos da televisão portuguesa. Com coordenação da jornalista Mafalda Gameiro, todas as semanas uma realidade diferente.
A Casa é Nossa | 30 Nov, 2017 | Episódio 35

Habitar na Utopia / Inhabiting Utopia | 420doc#25

A crise espanhola. 4 milhões de casas vazias. Despejos. Um triângulo cruel e um grupo heterogêneo, liderado por mulheres de diferentes gerações que decidem exercer o direito de ter um tecto e ocupar um edifício desabitado.

Passou na RTP3 a 12 de Janeiro de 2016
Miguel Paredes
Directed by: Mariano Agudo
Spain, 2014, 69 min.
Languages:
Spanish (English subtitles)
Festivals: 
_XI Seville European Film Festival. Nov. 2014. Seville. Spain
_Urbanize Film Festival 2015. Viena. Austria

Memórias de um Psicopata, Bruno Schiappa, 2017 | 420doc#Teatro2

Apresentado a 6 de Outubro de 2017 na Guilherme Cossoul, Festival organizado por Faísca Teatro

Um autor criou uma personagem – o psicopata. Devido ao tédio que o seu quotidiano lhe instala, o autor, considerando que a personagem tem uma vida mais intensa e interessante do que a dele, assume o comportamento do psicopata.

Um ator fora contratado para interpretar ambas as personagens. Pelo facto de a vida do psicopata ter uma dimensão mais intensa, do que a sua, e apaixonado pelo processo de identificação do autor com a personagem, o ator assume, também, por sua vez, as práticas do psicopata. O público encontra-o já no limite. Limite, não no sentido nervoso do termo, mas do sublime.

A vida do ator já não é a que fora. E nada mais na vida lhe interessa depois de ter assumido as práticas do psicopata.

Com a calma de quem encontra alívio na morte, Rotca (o ator) encontrou por fim uma pessoa que o compreende e o vai ajudar.

Memorias de um Psicopata foi um processo de escrita amadurecido pela leitura de vários textos cientificos e artísticos sobre processos de identificação artística entre o criador e o objeto criado.

Com um formato pouco comum, este espetáculo foi pensado em duas vertentes: o regresso do ator ao prazer puro e simples do fingimento, do jogo de pretender (sem relacionamentos religiosos, políticos, sociais, rituais ou outros) e a tentativa de levar o público a ter as emoções que procura no cinema de horror e suspense.

“O corpo humano aberto reflecte o que de sujo e imundo vai nas ruas do Homem.”

A ideia de criar este espetáculo surge após a criação da Mosaico – Associação Cultural do Cartaxo. Com o intuito de dinamizar a atividade cultural do Cartaxo, e oferecer uma proposta artística diferente, arrojada e vanguardista ao público. Nuno Crespo e João Rolaça, membros associados da Mosaico, propuseram-se a criar um espetáculo de teatro que visa a junção da performance às artes plásticas, passando pelo video e o som. Um espetáculo que pretende estimular o desassossego e a inquitação no público através da luz, do som, dos cheiros e da plasticidade do corpo, da voz e dos objetos.
Informações de http://www.gazetadosartistas.pt/?p=27328

Bruno Schiappa, o autor
É Doutorado com Distinção por unanimidade pela Universidade de Lisboa. Professor Titular na ESTAL- Escola Superior de Tecnologias e Artes de Lisboa e Professor de Expressão Dramatica no CCC. Sendo Ator/Encenador/Dramaturgo, a sua atividade divide-se entre a criação e a formação artísticas.

Terramotourism, 2016 | 420doc#24


Terramotourism, 2016

A 1 de novembro de 1755 um terramoto destruiu a cidade de Lisboa. O seu impacto foi tal que deslocou o homem do centro da criação. As suas ruínas legitimaram o despotismo esclarecido.
Lisboa hoje treme novamente, abalada por um sismo turístico que transforma a cidade a velocidade de cruzeiro. O seu impacto desloca o morador do centro da cidade. Que novos absolutismos encontrarão aqui o seu álibi?
Enquanto o direito à cidade derruba-se, afogado pelo discurso da identidade e do autêntico, a cidade range anunciando o seu colapso e a urgência de uma nova maneira de olhar-nós, de reagir a uma transformação, desta vez previsível, que o desespero do capitalismo finge inevitável.

Left Hand Rotation é um coletivo estabelecido em Lisboa desde 2011.
Terramotourism é um retrato subjetivo de uma cidade e a sua transformação ao longo dos últimos 6 anos.

_ lefthandrotation.com
museodelosdesplazados.com
lefthandrotation.blogspot.pt/2014/03/terremotourism-instrucciones-de.html

A Preceptora, Ricardo Neves-Neves, 2016 | 420Doc#Teatro1

Adaptação da peça "Mary Poppins, A Mulher que Salvou o Mundo" de Ricardo Neves-Neves. Mary Poppins apresenta-se a uma nova família, candidatando-se ao lugar de preceptora. Deve sujeitar-se a uma entrevista de emprego, apresentando o seu vasto curriculum e falando do seu longuíssimo percurso. A família está ansiosa para a receber e lança-se em pedidos e desejos que a preceptora deverá satisfazer...
https://www.rtp.pt/programa/tv/p33987
Ficha Técnica
Título Original A Peça Que Faltava: A Perceptora
Realização RTP
Produção RTP
Ano 2016

Gasland, 2010 | 420doc#23

Em maio de 2008, Josh Fox recebeu uma proposta de US$ 100 mil para deixar uma companhia de gás utilizar sua terra comercialmente. Ao procurar informação sobre outros proprietários que teriam aceitado o negócio, ele descobriu o quanto a prática trouxe doenças, contaminação da água, poluição e outros problemas para os habitantes de terras onde ocorre a produção de gás. No documentário, Josh procura soluções junto a cientistas, políticos e executivos.

Gasland traz uma verdade inconveniente e assustadora sobre a preocupante situação da água potável em alguns estados norte-americanos. O cineasta Josh Fox (de Memorial Day) parte em uma jornada pelos Estados Unidos recolhendo histórias, reclamações e amostras das piores águas encontradas no caminho. Em alguns casos, moradores conseguiam atear fogo na água que saia da torneira, tamanha a impureza. A razão desse problema estaria na extração do gás natural do subsolo de algumas regiões. Como o processo utiliza química pesada, estava afetando os lençóis de água de diversos estados norte-americanos. Uma companhia que prospecta este gás teria oferecido a Josh Fox uma pequena fortuna pelo direito de explorar as terras que são da sua família. Percebendo o prejuízo que isso traria para os rios que tanto preza, o cineasta percebe que tem um interessante e relevante para documentar. Assim começa sua viagem.

http://www.gaslandthemovie.com/

JUNHO - O mês que abalou o Brasil, 2014 | 420doc#22


Lançado no dia 5 de junho, "Junho" é o primeiro documentário produzido pela Folha.


O documentário dirigido pelo fotógrafo João Wainer lança mão de imagens feitas pela equipe da TV Folha durante as manifestações que tomaram as ruas de cidades como São Paulo, Rio, Brasília durante junho de 2013.

A longa chegou aos cinemas no início do segundo semestre deste ano, em 14 cidades brasileiras. A cobertura dos protestos da qual o filme apresenta um recorte recebeu o prêmio Esso de "Melhor Contribuição ao Telejornalismo" em 2013.

Saiba mais em http://folha.com/no1455188

Equipa:

Direção: João Wainer Roteiro: Cesar Gananian e João Wainer Produção executiva: Fernando Canzian e João Wainer Montagem: Cesar Gananian Fotografia: Carlos Cecconello, Felix Lima, Gustavo Veiga, Henrique Cartaxo, Isadora Brant, João Wainer, Marlene Bergamo, Rodrigo Machado Tratamento de cor: Douglas Lambert Direção de arte: Bia Bittencourt Reportagem:André Felipe, André Monteiro, Cesar Gananian. Bia Bittencourt, Carlos Cecconello, Dani de Lamare, Douglas Lambert, Felix Lima, Fernanda Kalena, Fernando Canzian, Giba Bergamin Jr, Giuliana Vallone, Henrique Cartaxo, João Wainer, Marlene Bergamo, Ricardo Gallo, Rodrigo Machado, Sabine Righetti, Talita Bedinelli Produção: Fernanda Kalena, Giuliana Vallone, Márcio Neves, Melina Cardoso, Yago Metring Música original: Tejo Damasceno, Rica Amabis Música adaptada: Instituto, Criolo, Tulipa Ruiz, Sujeito a Guincho, Maria José Carrasqueira, Daniel Bózzio Mixagem: Diego Techera/YB Studios Finalização: André Felipe Hot-site Pilker

5 Câmaras Partidas, 2011 | 420doc#21

5 Câmaras Partidas, 2011

5 Câmaras Partidas, o primeiro documentário palestiniano nomeado para um Oscar, dá uma esmagadora representação da injustiça e da brutalidade em grande escala contra os residentes de uma aldeia chamada Bilin na Cisjordânia. Os colonos israelitas exultam de poder quando se mudam para os novos apartamentos nos cumes vizinhos a Bilin, colonatos em terras roubadas aos camponeses de Bilin. Não só os habitantes de Bilin são cruelmente atacados e oprimidos, como até mesmo as oliveiras que lhes restam são queimadas por colonos insolentes ou arrancadas pelo exército usando máquinas de construção blindadas.

Com início em 2005 e filmando ao longo de um período de cinco anos com uma sucessão de cinco máquinas de filmar danificadas uma após outra por soldados ou colonos israelitas, Emad Burnat, um camponês tornado cineasta amador, documentou os protestos contra as confiscações de terras pelo governo israelita e a construção do muro que ocupa as suas terras cultivadas e os irá separar delas. Apesar do grande risco pessoal, ele continuou a filmar com um sentimento de obrigação moral para com o seu povo e o desejo de alertar o mundo sobre a luta para salvar a sua terra. Em 2009, Burnat conseguiu o auxílio do activista e realizador israelita Guy Davidi para o ajudar a fazer o filme.

O filme ganhou muitos prémios mundiais, na Europa e nos EUA e no Festival de Cinema de Sundance. Que este documentário não tenha ganho um Oscar não é surpreendente num clima em que foi o filme de características reaccionárias Argo que recebeu o prémio de melhor filme do ano. Apesar de ter um convite oficial para assistir à cerimónia dos Prémios da Academia, quando Emad Burnat, a esposa e o filho mais novo Gibreel chegaram a Los Angeles, foram detidos e quase deportados pelos agentes norte-americanos de imigração antes de o realizador Michael Moore ter intervindo e chamado os advogados da Academia.

O filme é contado em cinco episódios, cada um correspondendo à vida de uma máquinas de filmar. O crescimento ao longo de cinco anos do seu recém-nascido filho Gibreel é justaposto à luta da aldeia liderada pelos dois melhores amigos de Emad. Ambos são decididos e todos são corajosos. Gradualmente, começamos a compreender o complexo pensamento de muitos dos residentes da aldeia à medida que eles evoluem através desta experiência. Conseguimos conhecer vários deles bastante bem. Este filme não é apenas uma colecção de filmagens; tem um poderoso ritmo dramático e uma evolução dos personagens.

Um dos aldeãos, Phil, um homem alto afectuosamente chamado de elefante pelas crianças, usa o humor para manter a moral e a unidade dos aldeãos que resistem face a humilhações, gás lacrimogéneo, balas de borracha e balas reais. Ele salienta frequentemente que estes protestos específicos são não violentos e apelam aos soldados israelitas na base da humanidade deles. «Somos todos primos», diz-lhes ele.

Apesar disso, os soldados executam inexoravelmente as ordens de cumprimento de uma estratégia israelita projectada para esmorecer a vontade de resistir dos aldeãos através do desgaste – o quebrar de ossos e rostos, a destruição de casas e, de vez em quando, a tomada de vidas. O exército não tenta matar toda a gente, mas sim mostrar que o preço pela recusa a se submeterem é mais alto do que qualquer um possa estar disposto a pagar. A não-violência de Phil e as tentativas de encontrar pontos de convergência com os soldados não alteram isto.

A luta afecta enormemente o filho de Emad, Gibreel. Quando era criança, algumas das primeiras palavras dele foram exército, cerco e bala. Emad diz que a melhor forma de proteger o filho, apesar da profunda preocupação com a segurança de Gibreel, é ele compreender como é realmente o mundo e a vulnerabilidade das vidas humanas. Quando um dos adultos favoritos de Gibreel é morto pelos soldados, ele fica profundamente transtornado e pergunta ao pai porque é que os soldados agem da forma como o fazem, e sobretudo o que se pode fazer em relação a isso. A audiência não pode deixar de fazer a mesma pergunta.

Em 5 Câmaras Partidas, testemunhamos os soldados a chegar à noite à aldeia e a prender crianças de 12 e 13 anos e a arrastá-los para a prisão entre os protestos das famílias e dos activistas internacionais que apoiam a luta deles, entre os quais alguns israelitas. Durante os protestos, cada um dos irmãos de Emad são presos um a um. Então, uma noite os soldados dirigem-se a Emad. Dizem-lhe que pare de filmar, que está numa zona militar fechada. Essa zona militar fechada, responde ele, é a própria casa dele. Ele vai para a prisão durante três semanas e é colocado em prisão domiciliária num outro edifício durante dois meses.
texto via SNUMAG

http://420doc.blogspot.com

Código de Bairro - Alfama, 2012 | 420doc#Bónus1

O dia-a-dia e a heterogeneidade de um dos bairros mais antigos e pitorescos de Portugal onde todos cantam, todos encantam, todos se sentem fadistas.

Em cada episódio retrata-se o quotidiano de um bairro português.
Tal como um espectador invisível somos transportados para dentro da realidade sentida e insólita destes moradores. Cada documentário vive da união, dificuldade, alegria e partilha, presente nos moradores que deixam de ser casos isolados e assumem o papel de elementos de um Código de Bairro.
Embarque como passageiro invisível, nesta viagem ao coração de quatro bairros portugueses...
Embarque como passageiro invisível, nesta viagem ao coração de quatro bairros portugueses.

Descubra como cada morador deixa de ser um caso isolado e juntos formam um verdadeiro...

Documentário de
Daniel Lima
João Pedro Oliveira
Marcos Pereira
Pedro Sarmento 

A Outra Guerra, 2010 | 420doc#20

A Outra Guerra, 2010
"Durante a guerra colonial jovens portugueses tinham de escolher entre as forças armadas ou a frota nacional de pesca do bacalhau. Ao longo de uma viagem no “Creoula” - o último lugre português da pesca do bacalhau - três antigos pescadores, sendo que um deles é natural de Aver-o-Mar, relembram as difíceis condições de trabalho da sua juventude, as razões das suas escolhas de vida e os constrangimentos nos seus destinos." 

«Partir para a guerra ou partir para a pesca do bacalhau? Já quase ninguém recorda que os jovens portugueses tinham nesta alternativa uma possibilidade de escapar aos perigos de um conflito militar em três frentes.

Os pescadores bacalhoeiros estavam sujeitos a condições especiais, particularmente duras, a uma disciplina muito semelhante à militar. Quando iniciámos este projecto, fascinava-nos, em particular, o dilema imposto pelo regime de os homens terem que escolher entre a guerra colonial e a pesca do bacalhau.

Iniciámos o trabalho de pesquisa convencidos de que muitos jovens do interior teriam escolhido partir para a pesca do bacalhau, por ela ter a vantagem sobre a guerra colonial de ser um trabalho remunerado e de gozar da auréola romântica e heróica construída pelo regime. À medida que nos envolvíamos na pesquisa de documentos e de testemunhos, fomos descobrindo que a pesca não tinha esse poder de atracção senão para aqueles que já estavam familiarizados com o mar. Terá sido porque o recrutamento se fazia apenas nos centros piscatórios? Terá sido porque aqueles que iam para a guerra colonial já sabiam que o que os esperava nos bancos do Norte era algo parecido com uma guerra? A nossa ideia de partida começava a ser abalada, o que fazia crescer ainda mais a motivação para fazer deste filme uma oportunidade de investigação «ao vivo». Pelos relatos que tínhamos ouvido sobre a pesca nos bancos da Terra Nova, parecia-nos tratar-se efectivamente da escolha entre duas guerras.

«Sem a guerra, não teria havido pesca do bacalhau», diz-nos um dos antigos pescadores do filme. Com efeito, nos anos 50, a PIDE andava pelas praias, a recrutar à força pescadores para os bancos da Terra Nova. Mas, quando rebenta a guerra colonial, e perante a escolha que lhes é imposta pelo regime, são os próprios pescadores que passam a procurar ser contratados nos bacalhoeiros para «fugir à guerra».

Neste documentário, tomamos como marcos o início dos anos 60 e o final dos anos 70. É um período de mudanças importantes na política portuguesa da pesca do bacalhau, que coincide com o início e o fim da guerra colonial em África e com um dos grandes fluxos de emigração também relacionado com a guerra e as suas consequências económicas e políticas: por um lado, a pauperização de largas camadas da população; por outro, uma deserção numerosa. Esse período irá prolongar-se até meados dos anos 70 com a queda do regime, em Abril de 1974, e o desmantelamento da frota bacalhoeira.

Damos, no nosso trabalho, um especial valor aos contributos orais dos protagonistas, com toda a carga de subjectividade que eles trazem consigo. A história não se faz apenas a partir dos arquivos. É indispensável que no reviver desta parte da história portuguesa participem os actores directos que trabalharam a bordo dos navios bacalhoeiros e que felizmente ainda se encontram entre nós, hoje, para nos poderem transmitir as suas memórias.»


Uma boa surpresa a apresentação deste novo documentário “bacalhoeiro” na Póvoa. É mais uma dessas pérolas do passado marítimo português que andam guardadas por aí fora. Será muito interessante ver uma campanha do "Creoula" ainda durante a Guerra Colonial, provavelmente a preto e branco, a considerar pelas imagens. Vindo em época natalícia, permitirá mais uma vez mostrar aos interessados que o bacalhau desde há séculos foi muito mais que um pedaço de peixe no prato.

Elsa Sertório Nasceu em Lisboa em 1956. É licenciada em Sociologia pela Universidade de Paris VIII, Paris. Autora e realizadora do documentário A outra Guerra, produção Kintop. Tem trabalhado como produtora na Kintop e anteriormente em teatro e dança contemporânea. Foi produtora executiva dos documentários Natureza Morta-Visages d'une Dictature e 48. É autora dos seguintes livros: Mulheres Imigrantes, com Filipa Sousa Pereira, editora Ela Por Ela, 2004; Livro Negro do Racismo em Portugal, Edições Dinossauro, 2001.

Ansgar Schäfer Nasceu em 1959. Licenciou-se em Literatura e Língua alemã e Ciências Políticas. Trabalha como historiador e professor universitário. Co-autor, co-realizador e produtor do documentário Ein Haus der Begegnung. 40 Jahre Goethe-Institut Lissabon. Autor de dois projectos multimédia sobre a história portuguesa. Produtor dos documentários Natureza Morta/Visages d’une Dictature (2005), 48 (2009) e de Luz Obscura, As Lágrimas de Georgette e A Outra Guerra. Publicou vários artigos sobre as relações luso-alemães durante a 2.ª Guerra Mundial em revistas nacionais e internacionais. Actualmente prepara a sua tese de doutoramento sobre documentário histórico e a publicação de um livro sobre os Refugiados Alemães em Portugal.»

Terra dos Sonhos - novos rurais, 2013 | 420doc#19

Terra dos Sonhos, de Nuno Leocádio
A cidade, considerada outrora um mundo de oportunidades e de qualidade de vida é hoje uma desilusão para os que nela não encontram resposta para os seus anseios. Inverter esta situação, é o desejo de muitos, que procuram no interior do país a “Terra dos sonhos”.
Sãos os novos rurais, que ao regressarem á terra dos seus antepassados recuperam e renovam estas localidades de enorme potencial endógeno e capacidade de desenvolvimento, no entanto abandonadas de Portugal.

O documentário Terra dos Sonhos, realizado por Nuno Leocádio, é o resultado do projecto final do curso de Animação Sociocultural do Instituto Politécnico da Guarda, que juntamente com Rafael Rolo criaram a sua primeira realização.
Os animadores socioculturais devem assumir responsabilidades como agentes nas alterações sociais, devem estar aptos a promover uma sociedade formada e informada. Desta forma surge o documentário como meio de difusão de determinados problemas e potencialidades do interior rural.
Perante o abandono e degradação a que várias localidades do interior do país estão condenadas, este é um tema fundamental que nunca é demais divulgar.
O documentário procura valorizar as potencialidades das localidades rurais, apresentando soluções de rentabilidade que contrariem a recente conjuntura.
Ao longo do documentário são exibidos casos de sucesso de investimento em localidades do interior, pretende-se com isso despertar o interesse do espectador sobre o regresso ao campo.
Alimenta-se a esperança de que é possível alterar o despovoamento do interior, restabelecer o tecido demográfico e tentar inverter a litoralização exacerbada de Portugal.
O filme pretende evidenciar as disparidades entre litoral e interior que, segundo os censos 2011: “Portugal é cada vez mais um país litoralizado”.
Deseja-se caracterizar a realidade vivida em determinadas localidades do interior de Portugal, onde a falta de serviços públicos, a falta de investimento sustentado e sustentável estrangulam o desenvolvimento comunitário.
Pretende-se com o filme demonstrar as potencialidades que tais localidades oferecem para que se possa promover desenvolvimento sociocultural, turístico e económico, bem como comprovar que é possível criar projectos que se traduzam em qualidade de vida em localidades rurais.
https://www.fb.com/TerradosSonhosDocumentario

420doc@boun.cr
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A revolução não será televisionada, 2003 | 420doc#18

A Revolução Não Será Televisionada, também conhecido como Chávez: Bastidores do Golpe (Chavez: Inside The Coup), é um documentário irlandês, filmado e dirigido por dois cineastas irlandeses, Kim Bartley e Donnacha O'Briain, a respeito do golpe de estado que, em 2002, depôs o presidente eleito da Venezuela Hugo Chávez. Após dois dias, durante os quais o empresário Pedro Carmona foi declarado chefe de estado, permanecendo no palácio presidencial pelas 48 horas seguintes. O golpe perdeu força, e Chávez retomou o poder.
Este documentário mostrou como estava a vida dos venezuelanos entre a época que aconteceu o golpe de estado e a recuperação de Hugo Chávez.
O documentário nasceu por obra de uma equipe de TV irlandesa (Rádio Telefís Éirieann) que estava em Caracas, no Palácio de Miraflores, para filmar um documentário sobre Chávez. Ao perceber a agitação política no país, os documentaristas direcionaram seu foco para os acontecimentos que levaram à deposição e ao retorno de Chávez.
Esse documentário ganhou doze importantes prêmios internacionais e foi nomeado para mais quatro.
Políticos oposisionistas ao governo Chávez afirmam que o documentário é parcial e omite fatos que possam ser nocivos à imagem de Chávez e de seu governo; chegaram mesmo a produzir um vídeo, X-Ray of a Lie (Radiografia de uma Mentira), como resposta ao documentário irlandês.
Já seus defensores dizem que a obra seria um retrato fiel dos eventos ocorridos na Venezuela a propósito do golpe. Nick Fraser, editor da Storyville Series na BBC, em seu Commissioner's Comment acerca de "The Revolution Will Not Be Televised" comentou sobre o filme: "O resultado é uma brilhante peça de jornalismo". ..."Veja esse filme e você comprenderá, pela primeira vez na sua vida, o que se entende por "viés da mídia".
A Revolução Não Será Televisionada já foi transmitido no Brasil pela TV Câmara. O documentàrio não foi amplamente distribuído; por de todos modos, a economia informal está distribuindo cópias ilegais em DVD por quase todo o território venezuelano.

Talvez Deus esteja doente, 2007 | 420doc#17


Filmado em vários países africanos como Moçambique, Angola, Uganda, Senegal, Camarões e África do Sul, este documentário, é uma fascinante viagem através de uma África devastada pela fome e pela SIDA.
Pequenas histórias que falam de crianças soldado, crianças acusadas de feitiçaria, de homens e mulheres que lutam contra a doença, a pobreza e a tragédia da emigração.

Bom Povo Português, 1981 | 420doc#16

Bom Povo Português é um filme português de Rui Simões, um documentário histórico de longa-metragem que descreve a situação social e política de Portugal entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975, «tal como ela foi sentida pela equipa que, ao longo deste processo, foi ao mesmo tempo espectador, actor, participante, mas que, sobretudo, se encontrava totalmente comprometida com o processo revolucionário em curso (PREC)».
Estreou em Lisboa nos cinemas Estúdio e Quarteto a 18 de Novembro de 1981.
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Portugal entre dois momentos históricos cruciais. O PREC: entre o dia 25 de Abril de 1974 e o dia 25 de Novembro de 1975.
A Revolução dos Cravos e o Primeiro Governo Provisório. As manifestações do PS e do PCP. António de Spínola e o «bom povo». O direito à greve. Camponeses e operários, os campos e as fábricas. Vasco Gonçalves, as coligações políticas e o MFA. Mário Soares perante a contaminação fascista da administração pública. Álvaro Cunhal e o Portugal democrático e independente. Os actos de repressão pela GNR, as manifestações pela descolonização. A radicalização da vida política: o 28 de Setembro, o 11 de Março, o caso Torrebela. As ocupações de prédios abandonados, a Reforma Agrária, o Norte e o Centro, Os Três Efes: Fátima, Futebol e Fado. Os retornados. Os avanços da social-democracia. Os casos do jornal República e da Rádio Renascença Os recuos do PS na revolução democrática. Os ataques a sedes dos partidos de esquerda. A Santa da Ladeira, a prisão de Otelo Saraiva de Carvalho e a entrada em cena de Ramalho Eanes.
420doc

As Armas e o Povo, 1975 | 420doc#15


as armas e o povo
Filme sobre a semana pós-revolução dos Cravos

Este filme retrata o período entre os dias 25 de Abril de 1974 e o Primeiro de Maio. Mostra o movimento militar e a agitação popular nas ruas, tendentes ao desmantelamento do «aparelho social e político do fascismo».
A história faz-nos recuar ao golpe do 28 de Maio de 1926, dando-nos a ver os movimentos que, desde então, contribuíram para que se tornasse possível a Revolução dos Cravos

As Armas e o Povo é um documentário português de longa-metragem, um filme colectivo realizado e produzido pelo Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica, que levaria à renovação do respectivo sindicato. São ilustrados os primeiros seis dias da Revolução dos Cravos.

O filme estreia no Teatro Rosa Damasceno, em Santarém, em Novembro de 1977.

Realização e produção: Colectivo de Trabalhadores da Actividade Cinematográfica
420doc

Religulous - Que o Céu Nos Ajude, 2008 | 420doc#14

que o céu nos ajude
Não vejo, não ouço e não falo?
Religulous acompanha o comediante Bill Maher na sua viagem a locais de culto religioso em todo o mundo para entrevistar um vasto espectro de crentes em Deus e na Religião.

Conhecido pela sua astuta capacidade analítica e pelo seu empenhamento em não ser agressivo para ninguém, Maher aplica a sua característica honestidade e espírito irreverente às questões da Fé, fazendo-nos entrar numa divertida e provocatória viagem espiritual.

Um Documentário que põe os deuses em causa com um apurado sentido de humor! www.lionsgate.com/religulous/

420doc

À Procura do Socialismo, 1994 | 420doc#13

à procura do socialismo
À Procura do Socialismo.
De Antero de Quental, passando pelo PREC, até ao que se lhe seguiu, este é um documento fundamental para compreender a história política do país.

Documentário de Alípio de Freitas e Mário Lindolfo sobre o socialismo em Portugal, cuja produção começou em 1975, pela RTP, mas foi interrompida.
Em 1994 a pedido da UDP, a produção foi terminada.

Excertos são bem conhecidos, como Vital Moreira, durante o PREC, a defender que havia muito para nacionalizar.
http://www.rtp.pt

http://www.esquerda.net

420doc

Pare, Escute, Olhe, 2009 | 420doc#12

Pare, Escute, Olhe
Filme de Jorge Pelicano
"Dezembro de 91. Uma decisão política encerra metade da centenária linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela.
Quinze anos depois, o apito do comboio apenas ecoa na memória dos transmontanos. A sentença amputou o rumo de desenvolvimento e acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal, tornando-o no país mais centralista da Europa Ocidental.

Os velhos resistem nas aldeias quase desertificadas, sem crianças. A falta de emprego e vida na terra leva os jovens que restam a procurar oportunidades noutras fronteiras. Agora, o comboio que ainda serpenteia por entre fragas do idílico vale do Tua, é ameaçado por uma barragem que inundará aquela que é considerada uma das mais belas linhas ferroviárias da Europa."

PARE, ESCUTE, OLHE é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessa incumpridas dos que juraram defender a terra. Esses partiram com o comboio, impunes.
http://www.costacastelo.pt/pareescuteolhe/

420doc

Catastroika, 2012 | 420doc#11

Catastroika, as consequências brutais da austeridade selvagem
Catastroika, as consequências brutais da austeridade selvagem
Num momento em que as políticas de austeridade se comprovam como catastróficas, vale a pena ver Catastroika, filme dos mesmos autores de Dividocracia, agora no Youtube com legendas em português. O filme de Aris Chatzistefanou e Katerina Kitidi explica as motivações por trás das privatizações e as consequências brutais desta austeridade selvagem que, com a desculpa da dívida, traz apenas uma resposta - a subjugação e a miséria.
Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em sectores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy.

De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável. Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.


As consequências mais devastadores registam-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate». Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia. O objectivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos. Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.
Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemónico omnipresente nos media convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.
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